quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ativistas gays organizam “Beijaço LGBT” em protesto contra o papa Francisco durante abertura da Jornada Mundial da Juventude


Um grupo de ativistas gays prepara um protesto de recepção ao papa Francisco no próximo dia 22 de julho, no Rio de Janeiro. Chamado de “Beijaço LGBT”, a ação dos ativistas acontecerá durante as primeiras palavras de saudação do pontífice aos peregrinos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Os organizadores do “beijaço” dizem que o protesto é motivado por um suposto crescimento da homofobia e fundamentalismo religioso no país: “O protesto foi pensado a partir do ano passado, quando o antigo papa Bento XVI fez o discurso de final de ano e disse que a família homoafetiva é uma ameaça ao mundo, que somos o mal do mundo”, diz um dos ativistas.

De acordo com o portal Uol, o grupo prefere não se identificar por medo de represálias. “A própria reação dos religiosos na página do evento [no Facebook] demonstra como o imaginário e o conservadorismo católico e cristão se traduzem em atitudes e discursos violentos e intolerantes contra as sexualidades não-normativas”, afirma outra participante do grupo.

“Desde o início, o Beijaço foi pensado para a semana da JMJ [...] Em termos estratégicos é imprescindível demarcarmos a legitimidade das nossas sexualidades nesse momento”, defende a ativista, que espera a presença de aproximadamente 1.500 pessoas no “Beijaço LGBT”.

Os ativistas se encontrarão no Largo do Machado, Zona Sul do Rio, às 14h00, e depois, caminharão em direção ao Palácio da Guanabara, sede do governo fluminense. Embora o protesto seja na recepção ao papa e contra o líder da Igreja Católica, o grupo diz que não quer nenhuma audiência com Francisco.

“Não há nenhum interesse de reunião com o Papa, não temos o que reivindicar à Igreja. Não queremos e não precisamos que nenhuma religião legitime nossas sexualidades, queremos apenas que elas sejam respeitadas [...] O beijo – expressão de amor ou prazer – será a nossa forma de protestar dessa vez. Chega desse falacioso discurso moral e do atropelo de nossos direitos fundamentais! Vocês vão ter que nos engolir! Toda forma de amor vale a pena!”, esbraveja uma das organizadoras.
Por Tiago Chagas, para o Gospel+

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