segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O caluniador separa os melhores amigos!

A covardia da calúnia, que sentencia o inocente a pagar por um crime que não cometeu, é a mais devastadora das armas do ignorante. Ela estraga e emporcalha tudo que toca, além de enegrecer profundamente aquilo que não conseguir exterminar".(Ivan Teorilang)



Se você convive com uma pessoa caluniadora ou se você mesmo é esta pessoa, quero te pedir atenção a este artigo:

Teorilang chama a calúnia de "covardia" já que geralmente a pessoa atacada não pode se defender em tempo hábil ou mesmo se esquivar do estigma que lhe será "presenteado por toda a vida". O caluniador normalmente ataca pelas costas, de forma sutil e ardilosa, o interesse único é simplesmente destruir, colocando dúvidas sobre a reputação do outro. Oportunista, vê em cada momento a chance de apresentar-se como o "fiel da balança" emitindo suas opiniões e oferecendo fatos, geralmente criados ou deturpados, para argumentar posições negativas sobre as pessoas.

Um dos problemas mais sérios que envolve a calúnia é o fato de que o caluniador apresenta-se de forma a parecer um mediador ou um observador "justo" ao longo da vida, desenvolvendo frases, jargões e comportamentos que produzem uma certa credibilidade e tolerância. Quero citar sete desse comportamentos:

FALSA SENSIBILIZAÇÃO: Ao emitir uma determinada opinião ou mesmo ao criar um fato, o faz demonstrando uma falsa sensibilização o que disfarça bem as intenções ardilosas por traz da calúnia; É comum ao caluniador ter expressões como:
"Puxa vida, ele precisa de apoio para se livrar desse problema, lamentável, é uma ótima pessoa apesar de…”.
“Ele não precisava disso…”.
“Vamos orar por ele, acho que é o melhor caminho!” “Estou chocado…”.

NEGAÇÃO DE AUTORIA: Esse comportamento consiste em atribuir a "informação" a outros, geralmente sem citar a fonte por questões "éticas". As expressões são mais ou menos essas:
“Sabe o que as pessoas andam falando?”
“Bom, é o que dizem por ai”.
“Contaram-me e estou passando exatamente…”.
“Todo mundo sabe disso…”.

FIRMAR POSIÇÕES: O Caluniador geralmente é alguém com dificuldades de admitir seus erros, esta é uma das razões pelas quais procura atribuir erros aos outros. Em nome de suas ideias, reputação e opiniões, desfere golpes do tipo:
“Eu penso assim, mas se ele pensa diferente…”.
“Eu não faria isso, mas cada cabeça uma sentença”.
“Se ele prefere fazer assim, problema dele”.

FALSA SURPRESA: Certamente o maior esforço do caluniador é desviar-se da origem da "calúnia" e para isso uma das ferramentas mais eficazes é a "falsa surpresa", a expressão é alguma coisa como:
“Sério? Eu não imaginava que ele poderia fazer isso”.
“O que? Você está brincando! quem disse isso?”
“Não acredito, ele fez isso mesmo?”
“Conte-me isso detalhadamente, mal posso acreditar”.

FALSA MINIMIZAÇÃO: Assim como na falsa surpresa, o caluniador busca conseguir alguma credibilidade colocando-se ao lado da vítima ao minimizar as informações por ele criadas ou recebidas de outras fontes:
“Eu ouvi isso, mas não acredito que seja tanto assim!”
“Me disseram, mas não pode ser…”.
“Eu acho isso, mas devo estar errado”.

CONTAR COM A PREDISPOSIÇÃO HUMANA PARA RETER O MAL: O caluniador transforma grandes mentiras em verdades incontestáveis, em fatos, ainda que seja desmentida uma parte significativa dos ouvintes manterão a posição "caluniadora" e muitas vezes formarão fileira na continuidade. Como disse Willian Hazlitt: “A calúnia não exige provas”.

FALAR SEM PENSAR: A fala por impulso, sem filtro. A calúnia pode vir também como um impulso da linguagem, esta prática é explicada por alguns estudiosos que atribuem este comportamento a pessoas que têm um superego enfraquecido e não conseguem trabalhar regras sociais, pessoas que não estão com seu mundo interior ordenado, ignora seu superego (que normalmente funciona como filtro dos impulsos do ID), nessa estrutura emocional as questões da vida estão desorganizadas ou sem solução, o que provoca uma enorme pressão acionando um mecanismo de defesa emocional que libera "as tais falácias ou falar sem pensar" para que o indivíduo não se exploda.

O problema aqui é que em nome de uma liberação emocional se coloca em xeque a vida e reputação de outras pessoas. Como disse Luigi Pirandello, "Tem ideia de quanto mal nos fazemos por essa maldita necessidade de falar?". Gosto muito também da frase do presidente americano Woodrow Wilson: "Se eu for falar por dez minutos, eu preciso de uma semana de preparação; se quinze minutos, três dias; se meia hora, dois dias; se uma hora, estou pronto agora".

O PREÇO: Nenhum comportamento vem com "isenção de IPI" (imposto sobre procedimento individual) para todo comportamento existirá sempre uma resposta. Nem sempre aquela esperada, mas dentro da normalidade ame e será amado, cuide e será cuidado, sirva e será servido, critique e será criticado e assim por diante. O preço a pagar por uma vida de calúnia não é barato, pessoas caluniadas sentem aversão e ódio dos seus caluniadores; aqueles que fazem parte do círculo de relacionamento, mesmo que não tenham sido vítimas tendem a desprezar e evitar o caluniador. A perda da credibilidade é a mais dura pena. Imagine-se convivendo com o descrédito total, a indiferença, sendo tolerado ao invés de acolhido? Esse é o IPI pago pelo caluniador.

A CURA: Se você se encaixa nesse contexto, há algumas decisões urgentes a tomar:
Aprenda a gostar de si mesmo, valorize-se, ame-se, tenha orgulho de si mesmo, sua história não merece a macha da calúnia;
Assuma sua condição de caluniador, faça uma revisão de seu comportamento, pense nas pessoas que você já prejudicou. As mentiras, as verdades que não deveriam ser passadas a frente (um fato verdadeiro não justifica a sua divulgação caluniosa), os amigos que você ajudou a separar pela dúvida, os relacionamentos que você ajudou a esfriar pelo desencanto;
Decida desculpar-se com essas pessoas: "os caluniados";
Decida consertar o que for possível desfazendo o que você construiu (destruiu), desmentindo, procurando aqueles que receberam suas "informações";
Assuma a autoria de tudo que falar daqui pra frente, você vai ver como isso te ajudará a ser mais cuidadoso com as palavras;
Decida ser humilde, esteja pronto para mudar, pensar diferente, dar crédito aos outros, cale-se um pouco, aprenda a ouvir e valorizar os outros, isso vai te ajudar;
Abandone o cinismo, vigie-se.
Aprenda a elogiar e ver o bom em tudo. Decida e transforme-se em uma pessoa "otimista, positiva e que acredita nas pessoas" e perceba o valor do novo IPI na sua vida;

Não descarto a necessidade de pessoas que praticam a calúnia necessitarem de cuidados terapêuticos urgentes. Os sintomas de distúrbios psíquicos são muito claros, mas não gosto da linha que leva toda debilidade humana para o campo médico. Vejo claramente aqui problemas sérios de caráter, de modelos de comportamento, de decisões não ou mal tomadas, de escolhas, de superficialidade e pobreza de espírito. Considero sempre o ser humano capaz de fazer o auto diagnóstico e a partir de suas constatações caminhar rumo ao desenvolvimento pessoal, buscando recursos em todas as instâncias possíveis, inclusive médica, motivado pela percepção do preço pago por si mesmo e por outros. A mudança pode acontecer!

Termino este texto citando Carlos Drumond de Andrade, em seu poema Recomeçar:

“Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou. O que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar”.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo. É renovar as esperanças na vida e o mais importante. Acreditar em você de novo.

(*) Este texto é parte da Palestra do Prof. Múcio Morais "Chega, eu não me suporto mais" voltada para comportamento e clima organizacional.

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